EM BUSCA DA MODERNIDADE
Para a expansão da raça, se faz necessário uma mudança de pensamento e enfoque por parte dos associados na seleção, criação e comercialização dos animais, deixando o campolina de ser exclusivamente um produto de desejo de alguns selecionadores, onde a troca de animais de “elite” ainda é a forma mais comum de comercialização. O primeiro passo para expandir o mercado é ter um produto de extrema qualidade, e no caso dos eqüinos existe uma alta correlação deste produto de excelência, com equilíbrio corpóreo e qualidade de sustentação.
Seleção:
A necessidade por animais bem equilibrados é uma realidade dentro da raça e não pode ser esquecida, pois este equilíbrio corpóreo aliado à uma boa estrutura, direcionamento e angulações dos membros guardam estreita relação com a qualidade de locomoção dos animais. O cavalo é considerado bem proporcionado, se as partes do corpo, observadas em conjunto, são adaptadas à função a que se destina (COSTA et al., 1998).
Dentro desta busca por animais equilibrados, é preocupante a forma de seleção estabelecida na raça nas últimas décadas, evidenciando em demasia a caracterização racial. Não que esta característica tenha menos importância, mas não representa a totalidade dos genes de um determinado animal. Sendo assim, vários genes que condicionam características desejáveis de equilíbrio corpóreo, constituição óssea, angulações, índole, dentre outras... podem ter sido eliminados da raça ao longo do processo de seleção, diminuindo a variabilidade genética, tornando cada vez mais preocupante a questão do ganho genético.
A escolha dos animais para o processo seletivo dentro de um haras deve ser bem criteriosa, principalmente com as atuais biotécnicas utilizadas na reprodução, que diminuem a variabilidade genética. Quantas potras foram classificadas recentemente como RECEPTORAS, MESMO SENDO POSSUIDORAS DE EXCELENTES CARACTERÍSTICAS DE EQUILÍBRIO CORPÓREO, APRUMOS E ANDAMENTO, QUE NEM TIVERAM OPORTUNIDADE DE COMPROVAR SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DA RAÇA ? E QUANTAS OUTRAS FORAM CLASSIFICADAS COMO DOADORAS, APENAS POR APRESENTAREM UMA CARACTERIZAÇÃO NO CONJUNTO DE FRENTE DE QUALIDADE SUPERIOR E DEFEITOS DE APRUMOS GRAVES? QUANTOS GENES DESEJÁVEIS PARA A EVOLUÇÃO DA RAÇA NÃO TÊM SIDO APROVEITADOS?
Não defendo a inclusão na seleção de animais sem qualquer caracterização racial, só questiono quantas éguas portadoras de cabeça com formato trapezoidal, perfil suavemente convexílineo, pescoço bem direcionado, bem proporcionadas, anguladas e sustentadas foram excluídas dos processos seletivos por nunca terem ganho um concurso de melhor cabeça?
Bibliografia Consultada
COSTA, M.D. et al. Caracterização das proporções morfométricas dos pôneis da Brasileira. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.50, n. 4, p. 455-460, 1998.
LASLEY, J.F., Genétics of livestock improvement. Prentince-Hall, INC. Nem Jersey, 1963. 413p
Meus Dados Pessoais:
Jorge Eduardo Cavalcante Lucena
Recifense
Zootecnista, formado pela UFRPE – CRMV 392/z PE
Prof. Equideocultura – UFRPE/UAG
Árbitro de Morfologia da ABCCC
Técnico de Registro da ABCCPônei




