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O Pescoço e sua importância na evolução funcional do cavalo de Campolina.

A necessidade de expansão das raças eqüinas, através da conquista de novos mercados, passa hoje pelo maior emprego da funcionalidade, e com a raça campolina não poderia ser diferente. No entanto, o empirismo que vem norteando a seleção desta raça nacional está com seus dias contados, caso os selecionadores realmente se preocupem com a conquista de novos horizontes. Em uma concepção moderna, relacionando forma e função, o pescoço é uma das regiões mais importantes do eqüino. Esta parte do animal, desempenha função primordial quanto aos movimentos de inclinação lateral, que alteram a localização do centro de gravidade e facilitam o início do andamento e mudança de direção Camargo & Chieffi (1971). Num pescoço curto demais, o alcance dos membros anteriores será restringido, afetando negativamente a amplitude das passadas. Já nos animais de pescoço longo, os músculos tendem ao subdesenvolvimento, estando, desta forma, mais propensos à fadiga. Em geral um cavalo com musculatura débil no pescoço tende a cansar mais rapidamente, carregando a cabeça numa posição mais baixa, o que resultará em deslocamento irregular e pouco produtivo de seus membros anteriores (ANDRADE 2002).

Na seleção natural de milhões de anos e posteriormente com os acasalamentos impostos pelo homem, estes animais vieram a apresentar tipos físicos distintos, com proporções lineares e medidas angulares adaptadas às suas respectivas atividades. No caso específico da raça campolina há um enquadramento natural nas proporções lineares dos animais tipo sela e com angulações naturais propícias a maior elasticidade e amortecimento do seu andamento marchado. Lesbre(1920) citado por Torres & Jardim(1981), descreve que a proporção ideal entre os comprimentos da cabeça e do pescoço, para um cavalo tipo sela, deve ser de 1:1.

Na década de 80, do século passado, com o intuito de porporcionar maior leveza as linhas gerais do cavalo campolina, já que a raça apresentava grande parte dos seus indivíduos com pescoços “pesados”(Figura 1).

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Figura 1: Pescoço de aspecto pesado e sem defi-
nições de formas de acordo com o padrão.

Com isso, foram utilizados no trabalho de melhoramento genético alguns reprodutores com características e proporções morfométricas da região cervical pouco funcionais a um indivíduo marchador.

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Com isso a raça ganhou uma nova roupagem, com pescoço mais delgado e acabamento das regiões zootécnicas mais lapidadas. Segundo Berbari Neto(2005), no período de 1972 à 1993, houve uma tendência de crescimento do pescoço dos garanhões registrados no livro definitivo da associação. Este conceito de “beleza zootécnica”, ganhou bastante popularidade entre os criadores e tornou-se comum ao nascimento, apresentação ou mesmo em fotos de revistas especializadas a valorização do excesso de comprimento da região cervical, sendo os animais normalmente apresentados demasiadamente esticados (Figura 4). Os pescoços longos e delgados passaram a ser classificados como superiores no processo de seleção por alguns criadores.

Com o passar dos anos e o aumento da endogamia imposta pela preferência dos criadores, norteados tanto pelo mercado como pelos resultados de exposições, a raça adquiriu um formato de pescoço muito bem enquadrado no padrão racial, nele o pescoço do cavalo campolina está assim descrito: Rodado em sua borda superior e côncavo na borda inferior, admitindo-se nesta o retilíneo; leve, com dimensões e musculatura proporcionais, bem ligado a cabeça, bem direcionado, inserindo-se nos terços médio e superior do tronco, crinas fartas e sedosas, mas com dimensões em relação as outras partes corpóreas que prejudicavam o bom desempenho da marcha. Sendo bastante freqüente animais com pescoços demasiadamente longos e com pouca sustentação na base, o que resultava numa instabilidade por transferência do centro de equilíbrio para a região dianteira do animal, ficando os membros anteriores sobrecarregados e gerando uma movimentação indesejável na região cervical do animal.

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Figura 4: Demonstração da supervalorização do comprimento do pescoço, com o animal apresentando-se demasiadamente esticado nessa região.

Existe uma necessidade de proporcionalidade entre as partes do animal e em relação ao comprimento da cabeça e do pescoço para animais de sela, esta relação deve guardar a harmonia e consequentemente a manutenção do ponto do equilíbrio para a determinada função. Além das proporções lineares, são importantes para o bom desempenho da movimentação, a angulação do pescoço com a cabeça e sua inserção ao tronco. Segundo Fontes (1974); Camargo & Chieffi (1971); BRASIL (2001) o pescoço do cavalo de sela deve ser proporcional, respeitando as relações entre os comprimentos das diversas partes do corpo, oblíquo, de musculatura forte, com bordos retilíneos que convergem para a cabeça, expressando leveza, equilíbrio, flexibilidade e força. Sendo bem orientado formando um ângulo reto com a cabeça e 45º com a linha horizontal. Este deve estar inserido no terço superior do peito. A movimentação ampla, segura e fácil do pescoço é condição imprescindível para a máxima mobilidade do balancin céfalo-cervical, contribuindo para o equilíbrio e impulsão do animal, que é dependente dos músculos propulsores do pescoço e do ligamento cervical. Este último, agindo sobre a coluna vertebral, exerce influência indireta na transmissão dos movimentos propulsivos.

Seleção

Uma das formas de empregarmos critérios técnicos na seleção é através da avaliação morfológica, sendo esta uma ferramenta de grande importância nos programas de melhoramento genético eqüino, não apenas por seu interesse econômico, mas também pela relação funcional com o desempenho dos animais em suas diferentes atividades (Sierra, et al., 1998 ).
Como parte do processo seletivo, a mensuração dos animais é ferramenta importante na escolha dos acasalamentos, já que medidas de comprimento, são características de média a alta herdabilidade. Aos 36 meses de idade, os animais, tanto machos quanto fêmeas, são mensurados pelo técnico de registro da ABCCC e estas medidas lineares ficam à disposição dos criadores, no site oficial da Associação.
No entanto o processo de evolução seletiva pode ocorrer dentro do próprio haras com a utilização de um hipômetro. O comprimento do pescoço pode ser aferido mensurando-se a distância entre a porção cranial do arco dorsal do atlas e o terço médio da borda cranial da escápula.(Figura 5)

Referências Bibliográficas:

ANDRADE, L.S. (2002) Manual do julgamento de eqüinos. Conformação versus Função. 1ª ed. Belo Horizonte: Equicenter Publicações, 114p.

BERBARI NETO, F. Evolução de medidas lineares e avaliação de índices morfométricos em garanhões da raça campolina. Dissertação(Mestrado em Zootecnia)- Universidade Estadual do Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes, 2005.

BRASIL. Estatuto da ABCCMM e regulamento do serviço genealógico. Belo Horizonte: ABCCMM, 2001. 68p

CAMARGO, M.X.; CHIEFFI, A. Ezoognósia. São Paulo: Instituto de Zootecnia, 1971. 320p

FONTES, L.R. Zootecnia, Exterior, Raças e Julgamento dos Animais Domésticos. Belo Horizonte: Universidade Rural do Estado de minas Gerais. 1952. 126p.

SIERRA, G.F. CÓRDOBA, VALERA, M.; ALCALÁ, A.M. La valorización morfológica lineal em el caballo de Pura Raza Española. Avances en Alimentacion y Mejora Animal., v.38, p.7-10, 1998

TORRES, A.P., JARDIM, W.R. Criação do cavalo e outros eqüinos. São Paulo. Livraria Nobel, 1981, 654p.

Meus Dados Pessoais:

Jorge Eduardo Cavalcante Lucena
Recifense
Zootecnista, formado pela UFRPE – CRMV 392/z PE
Prof. Equideocultura – UFRPE/UAG
Árbitro de Morfologia da ABCCC
Técnico de Registro da ABCCPônei

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