Muito tem se falado e escrito ultimamente sobre a necessidade da busca do campolina equilibrado, com proporções, angulações e aprumos adequados. No entanto, as maiores polêmicas sobre resultados de julgamento e grande parte das dúvidas nas decisões dos árbitros, recaem na má interpretação do padrão racial no tocante ao conjunto de frente, notadamente na cabeça.
Nas diversas espécies e raças zootecnicamente exploradas, a cabeça representa em grande parte a identidade, ou seja, carrega em si características ímpares que identificam os seus indivíduos. Em raças em início de formação, faz-se necessária a busca pela fixação destes caracteres e com isso muitas vezes o peso dado por técnicos e criadores passa do estabelecido nos padrões da raça.
No caso específico da raça Campolina, o padrão deve ser respeitado nos seguintes itens: Aparência Geral, Cabeça, Pescoço, Tronco, Membros e Andamento. Na tabela de pontos, aprovada pelo Conselho Deliberativo Técnico - CDT do Serviço de Registro Genealógico e homologado pelo Ministério da Agricultura, utilizada quando da inspeção técnica para efeito do registro definitivo, a cabeça representa 17% da pontuação total.
Durante anos este percentual estabelecido no padrão foi supervalorizado tanto por criadores quanto por árbitros, passando em muito dos 17% estabelecidos. Embora esta supervalorização tenha contribuído bastante para a fixação do padrão da cabeça da raça, muitas vezes sofreu influência negativa da má interpretação do padrão.
Uma das formas mais comuns da má interpretação do padrão é expressa pelo termo “raçudo”. Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, o significado da palavra “raçudo”, é um adjetivo aplicado àqueles que têm raça, ou seja, no caso dos animais o “raçudo” seria aquele cujo somatório de todas as suas características mais se aproximasse ao padrão escrito da raça.
Forma - Trapezoidal, proporcional e harmoniosa;
Orelhas - De textura delicada, tamanho e afastamento proporcionais às dimensões da cabeça, paralelas, dirigidas para o alto, móveis em torno de seu eixo, com pavilhão de abertura mediana e terminadas em forma de ponta de lança;
Fronte - Ampla e plana;Ganachas - Definidas, afastadas, com contornos ósseos, nítidos e suaves;
Olhos e Olhais - Olhos afastados, móveis e expressivos, escuros com pálpebras finas e flexíveis, olhais pouco profundos;
Narinas - Amplas, flexíveis e afastadas;
Boca - De abertura média, lábios móveis, firmes e justapostos;
Perfil - Retilíneo na região frontal e suavemente convexilíneo até retilíneo no chanfro.
Devido a má interpretação dada à região do chanfro, a seleção para a reprodução, ficou baseada na convexilidade da mesma, deixando de fora animais com bom formato de cabeça, mas com perfil retilíneo, em detrimento de animais com perfil de chanfro convexo e cabeças de formato inferior.
A raça campolina vive o começo de uma nova era, onde os criadores começam a valorizar a função do cavalo, e cabe aos criadores, técnicos e árbitros terem a sensibilidade de evidenciar a funcionalidade sem perder a identidade racial. Este desafio é a cara do Campolina no novo milênio, ou seja, produzir um cavalo atleta, bem equilibrado, bem angulado, com boa base de sustentação, sem perder o garbo e a beleza que lhe são peculiares.
Meus Dados Pessoais:
Jorge Eduardo Cavalcante Lucena
Recifense
Zootecnista, formado pela UFRPE – CRMV 392/z PE
Prof. Equideocultura – UFRPE/UAG
Árbitro de Morfologia da ABCCC
Técnico de Registro da ABCCPônei




