O prazer de ser criador ou usuário de qualquer raça de cavalo é algum imensurável. A paixão pela raça que cada um cria ou usa é algo interessante, pois ninguém se importa com as outras raças mas somente com a dele. Até parece que é um outro animal. As discussões entre criadores de campolina e mangalarga marchador, chega às raias do ridículo, pois na verdade um não sabe nada sobre a raça do outro. Vê um único exemplar e acha que a toda a raça é como aquele animal.
Mas voltando ao prazer de “mexer” com cavalo, sem duvida que é a melhor forma de relaxar e esquecer os problemas do cotidiano. Seja ir para a Fazenda ou Haras no fim de semana, visitar exposições ou haras de amigos, ir aos leiloes, fazer uma cavalgada, o nascimento dos potros, a compra ou a venda desejada, enfim tudo que envolve o que o cavalo proporciona.
No dia a dia, um telefonema inesperado de um amigo criador, ou um email ou visita em sites especializados, simplesmente faz com que o dia fique bem mais leve e alegre.
O envolvimento da família com este meio é outro beneficio. O cavalo agrega a família, envolvendo a todos num projeto comum ou ao menos num lazer comum.
Além disso tudo, permitir fazer novas amizades, é sem dúvida o grande diferencial desta atividade. Pois elas são amizades diferentes daquelas costumeiras: da escola, do trabalho, da profissão, do bairro, do prédio, da cidade, enfim, elas são globalizadas e com enorme equidade. Não se avalia cor, saldo bancário, profissão, nada que diferencie A de B. São todos amantes do cavalo, esta a igualdade que todos valorizam.
E aí às vezes me pergunto: Por que se briga tanto no meio do cavalo? Considerando que a mola mestra dos criadores é a vaidade, isto gera um uma bola de neve, que envolve investimentos altos, necessidade de procurar retorno, vitória nas pistas, sucesso em leilões, e aí tudo aquilo que seria um grande lazer se transforma num grande negocio, e para muitos, um grande problema. É bastante legitimo e óbvio que se tenha lucro nesta atividade, ou ao menos ser auto-sustentável, sobretudo para os grandes investidores, mas isto não está ao alcance de todos, muito pelo contrário.
E a partir daí começam as brigas, polêmicas, confusões. E não é somente em torno de resultado de pista, pois julgamento é algo que jamais terá solução, mesmo que os árbitros cheguem próximos da perfeição, pois as analises dos árbitros mesmo que procurem a objetividade, são subjetivas, considerando que os padrões das diversas raças serem abstratos ao meu ver. Não obstante, as analises dos criadores são apaixonadas. O padrão racial é o que cada um cria na sua fazenda ou a linhagem que segue. Você que está lendo este artigo, qual foi ultima vez que leu o padrão racial da sua raça?
Mas além das polemicas de julgamento, outros fatos geram brigas: política de associação, instituições com modus operandi muitas vezes lento, mercado pautado por falta de ética de alguns, registro genealógico fraudado em algumas raças, mão de obra aliciada, ou seja, fatos que levam á INDIGNIDADE E REPULSA , que não tem como evitar os atritos.
Entretanto, a parte boa do cavalo sobrepõe à parte ruim. Não tenho dúvida disso. E em torno de tudo de bom que o cavalo oferece conclamo a todos, sobretudo os mais experientes, considerando que aresta se cria até os 40 anos, depois disso apare-se as que foram criadas até então, que procurem amenizar tudo que é abjeto neste meio, usando algo que cada dia reduz mais: o dialogo e a tolerância. Avaliem e reflitam sobre a dimensão que se dá aos problemas. São reais? Compensa? Certamente se houver mais dialogo e mais tolerância pode-se evitar muito atrito, e poderemos fazer com que seja ainda mais prazerosa esta atividade, pois nela entramos com força com aquilo que há de mais sagrado no mundo: A família e os amigos !
Jose Eugenio Dutra Câmara Filho (Dudu)
Fazenda Lagoa Negra – Barbacena
Criatório de campolina desde 1942




