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Para você que bolou e enviou perguntas, é chegada a hora de conhecer as repostas, pensamentos e propostas dos dois aspirantes à Presidência da ABCCCampolina. Aproveitando o momento, a Comunidade Campolina faz um agradecimento a todos os participantes diretos e indiretos dessa experiência interativa e, especialmente, aos candidatos que acolheram a idéia com comovente presteza e entusiasmo. Modestamente, esperamos ter contribuído para um processo eleitoral mais rico e transparente. Aí está a entrevista de todos nós, da Comunidade do Cavalo Campolina. Boa leitura!

Perguntas Selecionadas

01. Na sua opinião, qual a finalidade pontual do Campolina perante as outras raças?
GUTO: A principal função atual é a de passeios e cavalgadas sendo também utilizado em serviços de fazenda. Passeios e cavalgadas são um mercado com tendência a uma forte expansão o que nos garante um mercado crescente e promissor.

OSMAR: O campolina é o cavalo essencialmente de lazer e trabalho, marchador e de forte caracterização racial. Hoje um animal mais evoluído enfatizado na melhoria dos aprumos e mais próximo do chão, facilitando assim ao cavaleiro no seu uso seja em passeios ou na lida diária. Uma raça

02. Como planejou e como foi realizado seu plano de metas?
OSMAR: Captamos opiniões diversas entre criadores, árbitros e técnicos. Reunimos com os nossos postulantes, discutimos e direcionamos em busca de um denominador comum. Enfatizo que todas as mudanças serão realizadas através de assembléia com opiniões e aval de todos criadores, sejam eles pequenos, médios ou grandes.

GUTO: Observando, conversando, discutindo e até polemizando com pequenos, médios, grandes criadores e com especialistas de dentro e de fora da raça. A preocupação era a de tentar identificar as necessidades e prioridades dos associados e do mercado. Não houve compromisso com nomes e nem com ações e sim exclusivamente com um projeto.


03. Que aspectos da atual gestão você pretende transformar de forma mais substancial?
GUTO: O sistema de gestão tornando-o mais participativo buscando com isto um maior envolvimento e comprometimento da maioria dos associados. A maior participação nos ajudará a identificar e priorizar com maior clareza as necessidades dos criadores e usuários para um maior desenvolvimento comercial e técnico do criatório nacional. Foi com esta intenção que criamos os vários conselhos extra estatutários.

OSMAR: Hoje, o processo burocrático de comunicações (cobrição, nascimento, transferência etc..) ainda é muito lento, procuraremos agilizar e informatizar estes serviços. Desenvolver intensamente um plano de marketing direcionado a novos mercados, onde o Campolina não está presente e principalmente, resgatar sucessos anteriores de outras gestões na qual o Campolina também se desenvolveu e evolui.
04. Quais são seus planos para a questão da visitação dos técnicos de registro genealógico nos Haras ou Criatórios (que hoje se rege por uma tabela única, na qual os pequenos criadores, que às vezes registram apenas1(um) animal, têm que pagar a mesma quantia dos grandes criadores que registram uma gama bem maior de animais)?
OSMAR: A idéia sempre será a de facilitar, minimizar o custo tanto do pequeno como do grande criador. Uma das propostas é aumentar o número de técnicos de registros, principalmente nas regiões deficitárias. Outro plano será o de reavaliação dos valores cobrados.

GUTO: Organizando e coordenando estes serviços de modo a serem atendidos de forma cooperativa, reduzindo o custo de quem presta e de quem paga pelo serviço. O serviço de registro genealógico é fundamental para que se estabeleça a raça mas para o seu desenvolvimento a orientação técnica tanto no manejo como no cruzamento é também fundamental para que se alcance o objetivo estabelecido em nosso Padrão Racial.
05. Hoje acho os preços cobrados pela ABCCC elevados. Existe alguma política de se tornar estes serviços mais baratos?
GUTO: Quem paga sempre acha caro e quem recebe sempre acha barato. A qualidade do serviço é que justifica o preço. A eficiência administrativa e o desenvolvimento tecnológico é que podem proporcionar uma redução de custo eficaz e seguro com qualidade. Sem qualidade o barato é caro. Com qualidade o retorno proporcionado torna o serviço barato e satisfaz o cliente (associado).

OSMAR: Como disse anteriormente teremos que reavaliar os valores. Hoje por um exemplo, o criador paga uma comunicação de cobertura/ transferência de embrião e o não havendo nascimento do produto, o valor pago anteriormente só é ressarcido mediante solicitação. Este valor deveria ser creditado automaticamente, já que o mesmo não foi usado a favor do criador. Hoje existem diversos criadores inadimplentes por este motivo.
06. O que você pretende fazer com os valores de anuidade, serviços genealógicos, taxas e demais despesas para sócios-usuários?
OSMAR: Os valores cobrados hoje são meramente participativos. Quando foi criado o sócio-usuário a finalidade era do aumento do número de pessoas que participassem diretamente da associação como futuros criadores. O interesse sempre será o mesmo, não poderemos diferenciar e nem aumentar demasiadamente as taxas para os sócios-usuários.

GUTO: O usuário do cavalo campolina deve ganhar importância afinal é ele o principal e final cliente de todo o processo de criação. É a ele e a suas necessidades que deve ser direcionado o desenvolvimento das características de nosso cavalo pelo pequeno, médio e grande criador. A expressão “cavalo de sela” deve ganhar significado de qualidade e não de descarte. Em função da qualidade do serviço é que se deve estabelecer seu custo.
07. No Nordeste, muitos criadores não concordam com o padrão de marcha imposto pelos juízes, no qual a comodidade fica em segundo plano e os animais vitoriosos são, na sua grande maioria, animais extremamente diagonais. Logo, gostaria de vocês pretendem deixar a marcha picada do jeito que está ou existe a possibilidade de separar as marchas batida e picada (machos de fêmeas, montados de puxados) nas exposições e concursos de marcha (como foi feito no Mangalarga Marchador, com muito sucesso)?

GUTO: Se nosso cavalo tem por finalidade o passeio e cavalgada a comodidade é característica fundamental. Entender esta comodidade, diferente para cada cavaleiro é prioridade. A marcha picada é a preferida de nossos clientes e precisa ser valorizada para que possa ser melhorada. Criar um projeto de fomento para o desenvolvimento da marcha picada é prioridade e isto passa pelo julgamento em separado uma vês ser difícil compara-la e julga-la com a marcha batida. Nosso Padrão Racial define o “nitidamente dissociado” como indicativo de direcionamento para a marcha de centro. Aproximar as marchas batida e picada em direção à de centro, afastando-as do trote e da andadura deve ser nosso objetivo e a separação dos julgamentos é instrumento para alcança-lo que é ter uma única marcha, a marcha de centro conforme preconiza nosso Padrão Racial.

OSMAR: Em nossa proposta, um dos tópicos já menciona a nossa opinião: “Julgamento nas exposições do concurso de marcha separando o Grande Marchador os machos das fêmeas, bem como marcha picada e batida”, reafirmando nosso direcionamento. Lógico que dependerá também, do número de animais inscritos nas exposições, hoje muito aquém do esperado, tanto financeiramente, tanto em relação ao Mangalarga.
08. Qual sua proposta para formação de jovens árbitros e para qualificação dos profissionais que já o integram?

OSMAR: Implantar o centro permanente de cursos de formação e reciclagem, aumentando o número de Juízes e Técnicos. Realizar convênios com faculdades de veterinária e zootecnia para estágios programados, nos quais os alunos que houver interesse pelo cavalo estagiarem como assistentes, criando um interesse pela raça e automaticamente desenvolvendo um processo de profissionalização.

GUTO: A formatação e implantação real da estrutura administrativa da Universidade Campolina que é parte estatutária do CETERC me parece ser o caminho. O convenio com universidades de veterinária, zootecnia a agronomia e parte deste processo. Dar oportunidade a todos de julgarem com avaliação destes julgamentos também é um instrumento de formação.


09. Qual seu parecer sobre criadores que supostamente estejam colocando animais de outras raças em julgamento de marcha?
GUTO: Ilegal e somente através de uma fiscalização e controle mais rigorosa e eficiente com punições exemplares é que conseguiremos inibir  esta prática. Para que isto possa ocorrer a estruturação administrativa do CETERC é fundamental.

OSMAR: A partir do momento que um animal é controlado e registrado pelo técnico ele é Campolina. Se existem animais de outras raças, estes devem ser denunciados com provas cabíveis, para que possamos investigar dentro da lei. Vale ressaltar que a nossa raça é muito nova, haja vista que indivíduos de um mesmo cruzamento podem sair muito diferentes um dos outros tanto em andamento como em caracterização (raça).
10. Quais são seus planos para fomentar a raça Campolina em estados ainda inexplorados e naqueles cuja a presença do nosso cavalo está aquém do potencial local, como é o caso de SP?

OSMAR: Não só São Paulo, como outras regiões. Levar a raça, ou seja, o Campolina, com seus grandes representantes a exposições, feiras, leilões como Esteio no RS, Lages em SC, Uberaba em MG e diversas outras. Incentivando a todos que se interessar pelo cavalo de passeio, que o verdadeiro marchador é o Campolina. Cômodo, altivo e de extrema docilidade.

GUTO: A parceria e uma maior integração entre os diversos Clubes e Núcleos do cavalo Campolina com a ABCCC me parece ser o caminho. São os Clubes e Núcleos os maiores agentes de fomento e são eles quem melhor conhecem as especificidades de suas regiões e regiões próximas. É esta a intenção do Conselho dos Presidentes prevista em nosso projeto.

11. Quais seriam as inovações propostas em termos de provas funcionais e novas modalidades de competições (similares às que acontecem no Mangalarga Paulista, por
exemplo)?


GUTO: Definida a nossa principal função (passeios e cavalgadas) devemos procurar desenvolver as melhores características para esta função. A prova funcional deve ser voltada a explorar nossas principais características. A prova de “Marcha Cross”, a prova de “Equitação de Trabalho” são exemplos. É através das provas funcionais que traremos os jovens para nossos eventos e com os jovens virão a família.

OSMAR: A aptidão e a característica do cavalo Campolina é a de lida, sela e lazer. Cada raça tem a sua característica de acordo com a finalidade. Não podemos realizar tarefas ou provas as quais os nossos animais não têm esta aptidão. Mas também não podemos descartar provas que o Campolina faz com desenvoltura para a sua finalidade, como é o caso da equitação de trabalho.

12. Acho que programa do Campolina feito pelo Horse Brasil tem trazido mais visibilidade para a nossa Raça, mas acho que falta mais qualidade no mesmo e maior envolvimento da ABCCC. Qual é a intenção dos senhores para a melhoria deste programa e para melhor divulgação da nossa Raça?

OSMAR: Qualquer veículo de mídia deve ser analisado investimento e retorno. Programas que envolvem diretamente a um determinado “produto” visam-se retorno, como é o caso do Horse Brasil, Top 2000 entre outros. Devemos desenvolver no caso da associação, mídia institucional para não privilegiar A ou B. A forma como é realizado hoje, deve ser continuada com maior interesse dos criadores e apoiada pela ABCCC.

GUTO: O Momento Campolina foi uma iniciativa isolada que contou com o patrocínio de diversos e importantes criadores. Seu principal objetivo, além da divulgação, foi buscar experiência. Nossa intenção é levar o programa para a coordenação da ABCCC através do CETERC e com isto obter pela centralização uma melhora significativa da produção e edição do programa. O Telecurso Campolina fará parte deste projeto.

13. Hoje na minha região vejo um crescimento assustador do Mangalarga Marchador, principalmente nos concursos de Marcha que são realizados. Vejo que a ABCCMM
apóia alguns destes eventos disponibilizando Juizes e publicidade. Os senhores tem algum projeto neste sentido?


GUTO: As ações de fomento da raça são vários. O incentivo ao pequeno e médio criador é uma delas. Os concursos de marcha regionais são uma forma de incentivo e fomento da raça. Não gosto de esmola mas gosto e acho fundamental o investimento e investimento pressupõe projeto, analise, comprometimento e retorno para novos investimentos que garantirão o crescimento constante e perene de nossa raça e associação.

OSMAR: Os núcleos e clubes regionais são responsáveis pela organização e desenvolvimento de exposições e provas regionais. O trabalho da associação é incentivar e apoiar o desenvolvimento dos núcleos e o surgimento de novas formas de aumentar a participação do Campolina em diversas regiões. Temos que preocupar principalmente, com o crescimento sustentável da nossa raça.

14. PERGUNTA COMUNIDADE CAMPOLINA: Hoje o mundo da comunicação é fundamental para o trabalho de marketing, disseminação e construção de imagem de qualquer produto. E neste meio, as mídias digitais assumiram um papel único e inovador, que sofre constantes influências dos avanços tecnológicos e, consequentemente, passa por mudanças todos os dias. Diante dessa realidade, você tem propostas concretas para o uso mais contundente das mídias digitais (sobretudo a internet) no trabalho de marketing do nosso cavalo?

OSMAR: A Internet hoje move o mundo de uma forma fácil e ágil. A informação atinge o criador, o peão, o usuário e os amantes da raça. O que deve ser de extrema preocupação é o seu uso incorreto que pode se tornar um grande vilão. O trabalho de marketing on-line deve ser usado por ser uma ferramenta prática e de custo baixo. Porém não de uma forma a depreciar, desvalorizar ou vulgarizar o nosso Campolina.

GUTO: Sim e não só para marketing, mas também e principalmente na comunicação e informação de nossos associados e usuários do cavalo. A nesta interação que poderemos formatar e divulgar nossa cultura outro instrumento muito importante de marketing. O conhecimento é o maior fator de desenvolvimento e devemos utilizar todos e melhores instrumentos de comunicação para divulgar este conhecimento.
* Considerações finais:
GUTO: Atender as necessidades e não as vontades dos associados é o maior desafio de qualquer administração moderna e uma quebra de paradigma para a sobrevivência e desenvolvimento nos tempos atuais. As necessidades são físicas e psicológicas e envolvem ações e relacionamentos. Agir e preservar os relacionamentos são igualmente importantes para se alcançar este objetivo. É este o conceito de nosso projeto.

OSMAR: O cavalo Campolina é uma paixão que não pode ser resumida com poucas palavras. Do menino que tem o seu alazão para se divertir no final de semana ao senhor de idade que cria cavalos a mais de 50 anos, o cavalo desperta os mesmos sentimentos. A nossa preocupação é com a evolução do Campolina para continuar a nos despertar paixões.


Observações:

O critério adotado para disposição das respostas foi o da alternação, dando voz de resposta inicial ora a um, ora a outro candidato. Na primeira pergunta, o critério de escolha foi o da ordem de chegada dos “arquivos-resposta” (enviados pelos candidatos à Comunidade Campolina);